O Jesus lá fora

  • 21/12/2020
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O Jesus lá fora

Ele ficou lá fora quando ainda era bebê, pois “não havia lugar para eles [Jesus e seus pais] na hospedaria” (Lucas 2.7).


“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (João 1.11)

Em sua peça Draussen vor der Tür [O homem lá fora], o dramaturgo Wolfgang Borchert fala de um soldado que chegou em casa depois de ter sido prisioneiro após a Segunda Guerra Mundial. Há quanto tempo ele aguardava por esse momento! Finalmente em casa! Finalmente poderia abraçar sua querida esposa! Agora ele havia chegado até a casa. Com o coração palpitante, aproxima-se da porta e bate. A porta se abre. Sua esposa estava à sua frente. Mas como está o seu olhar? Imediatamente ele reconheceu que ela não o esperava mais. Havia demorado demais para ela. Um outro homem havia tomado o seu lugar. Ali estava ele, parado diante da porta. Diante da porta de sua própria casa. Seu amor não foi correspondido.

Alguém também passou por algo semelhante: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. Terrível. Inimaginável. Mas foi exatamente isso o que aconteceu. “O que era seu” – é o mundo que “foi feito por intermédio dele” (João 1.10). O que era seu inclui todos nós – outrora e agora. Você e eu. Mas eles “não o receberam”. A ele, o Filho de Deus, que se tornou homem para nos salvar.

Ele ficou lá fora quando ainda era bebê, pois “não havia lugar para eles [Jesus e seus pais] na hospedaria” (Lucas 2.7). O primeiro “Natal” não foi de modo algum tão romântico como se costuma representá-lo atualmente. Ele, que veio a este mundo por amor, não teve seu amor correspondido. E essa rejeição prosseguiu. Depois, quando ele ensinou as pessoas, as curou e as ajudou, quando ele realizou grandes sinais e milagres, muito tiveram inveja dele e o desprezaram. Eles o deixaram fora, diante da porta de seus corações. No fim, o ódio do mundo o levou para a cruz. Essa cruz, por sua vez, na qual ele teve uma morte horrível, estava “fora, diante da porta” – fora das portas daquela Jerusalém. E nós, acolhemos a Jesus?

Lothar Gassmann


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