O Ensino de Balaão

  • 04/06/2021
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O Ensino de Balaão

Na carta à igreja de Pérgamo, encontramos o alerta sobre um inimigo interno e uma séria advertência.


“No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual. De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas. Portanto, arrependa-se! Se não, virei em breve até você e lutarei contra eles com a espada da minha boca” (Ap 2.14-16).

As pressões vindas do poder estatal e dos judeus foram extremamente pesadas para os crentes de Pérgamo. Todavia, conseguiam resistir porque haviam vestido toda a armadura de Deus e se mantinham fiéis ao nome de Jesus, sem negar sua fé. Afinal, é o próprio Senhor que empunha a espada e rompe todas as couraças do adversário – e quem tem esse Senhor em seu coração é invencível. Em Cristo, ele se eleva acima do trono de Satanás e supera com folga todas as provações.

Ainda assim, o Senhor tem contra ela “algumas coisas”, pequenas, poucas, conforme consta das diversas traduções. Parece então ser alguma insignificância, embora seja algo tão sério; uma diminuição como a que os crentes tanto gostam para negar a importância do seu fracasso. Contudo, é aí que reside a assustadora gravidade de tudo isso: enquanto os filhos de Deus em Pérgamo resistiam vitoriosamente ao inimigo externo, cediam ao inimigo interno – e dessa forma já temos a mistura mortal de vitória e derrota; de fidelidade a Jesus até a morte, mas ainda assim a capitulação diante das demandas internas da carne. Precisamos entender os versos 14-15 à luz disso.

O ensino de Balaão se estabelecera. O ensino de Balaão consistia no conselho que Balaão dera ao rei Balaque (Nm 22–25; 31.16). Balaão queria amaldiçoar o povo de Deus, mas não conseguiu. Ele reconheceu que Balaque não teria sucesso nenhum com seu exército, porque Israel era invencível. Por isso ele desaconselhou uma batalha contra os israelitas. Contudo, ele também queria arruinar o povo de Israel e conseguiu isso ao induzi-los a participar da idolatria e da devassidão ligada a ela.

Portanto, aquela “coisinha” era um perigo mortal para Pérgamo, assim como a “inofensiva” conversa entre Eva e a serpente no paraíso foi uma armadilha com terríveis consequências. E essa liberalidade sexual foi elevada ali em Pérgamo à condição de doutrina por membros da igreja – provavelmente de elevado conceito: “... que se apegam aos ensinos de Balaão” (Ap 2.14). Disso resultou essa pavorosa mistura em Pérgamo: por um lado, a firme fidelidade ao nome de Jesus para fora (v. 13); por outro, a fixação ao ensino de Balaão (v. 14).

Nem todos aderiram. O Senhor diz expressamente: “Você tem aí pessoas...”. Pérgamo abrigava alguns que cederam ao inimigo interno. Assim, apesar de os outros seguirem o Senhor Jesus com toda a determinação, a estrutura da igreja sofreu uma mistura por tolerar a carnalidade. Com isso, perderam a autoridade. Tais coisas são repetidas milhares de vezes até hoje.

O Senhor quer fazer a separação por meio da sua espada afiada, sua Palavra, porque ele não quer a liberalidade da carne –esta deve ser crucificada com Cristo. Em Pérgamo ocorreu devassidão na carne porque já ocorrera a devassidão espiritual – e essa devassidão espiritual se expressou na neutralidade da igreja em relação àqueles desviados.

A respeito da igreja de Éfeso, o Senhor diz: “Você odeia...” (Ap 2.6). Ela assumiu uma posição clara contra toda heresia e carnalidade. Sobre a igreja de Tiatira, por outro lado, lemos: “Você tolera...” (Ap 2.20). Em Pérgamo, esses dois grupos e esses dois ensinos – seguir decididamente a Jesus e comprometer-se com a carne – simplesmente andavam paralelamente, e o Senhor julga de forma particularmente rigorosa essa neutralidade interna da igreja.

Qual é a atitude da nossa igreja?

Wim Malgo

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